terça-feira, 16 de outubro de 2018

Os dois caminhos!


Aprendi que saber estar, tem muito que ver com a intensidade, ou a falta dela, que me habituei a colocar nos momentos da minha existência. Sou daqueles que quero tudo para ontem, lido mal com a espera, com o tempo que tudo demora a acontecer. A velocidade da minha existência, das circunstâncias que me rodeiam, raramente coincide com os anseios, as vontades, as projecções que alimento interiormente. Como se a vontade de tudo acontecer, fosse tão intensa, que acabasse por quase me devorar internamente. É evidente que padeço desse problema, realmente tudo tem um tempo, nascemos ao fim de nove meses após a procriação, não é no segundo seguinte, uma escadaria de duzentos degraus faz-se degrau a degrau, não duma vez só, para me graduar na faculdade, tenho de começar na primária, sei que aos dez anos de idade, não tenho ainda a maturidade que me reconheço aos sessenta. Tudo para concluir que, ao caminho que efectuo durante a minha existência, percorro em simultâneo um outro totalmente diferente. Coincidem os dois? Raramente. Sussurra-me aquela voz longínqua, não te basta quereres, é preciso fazeres. Os dois caminhos entram muitas vezes em conflito? Muitas. Embora seja levado a concluir, que finalmente acabo por encontrar a estrada interior, quando extenuado desisto pelo cansaço. Acredito que, por muito longa e estreita a estrada se faça, sei que depende de mim adormecer todas as noites no colo da paz!

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O estado de espírito!

É fácil habituar-me aos meus estados de espírito. E de tão fácil é, que acabo por me confundir com eles!

sábado, 13 de outubro de 2018

A carta que nunca escrevi!


As cartas que escrevi são tantas quanto a minha imaginação o permitiu. Talvez porque todas as cartas que guardei na minha memória, tenham tido como tentativa,escrever aquela de que não me consigo mais esquecer. Naquele ruído frio da cidade, com o burburinho típico do iniciar do dia, vou tentando lembrar-me de que escrever a tal carta, pode vir a ser última tentativa para não mais adiar, a tal que seria escrita por medo de errar. Juntando todas as cartas que não escrevi, encontro aquela carta de amor sempre adiada, achando-a como única, mas também vivida com tanta ilusão, talvez porque acredite, que não exista melhor amor que outro, talvez antes exista, amor vivido de outra forma. Ao adormecer, acordo demasiado cedo, a carta ainda por escrever, deixa-me sobressaltado, talvez o amor não caiba na tal carta, talvez a carta não seja tão eterna quanto o mal-entendido que se diz amor! Deixo o medo e os queixumes para trás, a carta esteve sempre escrita, apenas a enviei para um outro destinatário!

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

A arrumação!


Se o prémio fosse garantido, teria sempre da minha parte toda a disponibilidade para o esforço anterior. É fácil, óbvio, que tendo em vista um prémio chorudo, a minha abertura para um esforço extra é total, disso não me parece que tenha grandes dúvidas. Tudo isto a propósito das mudanças que acontecem na minha vida, mudanças que fazem com que altere o rumo percorrido, que me pedem para a paciência, que me alertam para esperar pelo momento certo, que me avisam de que chegou a hora para o passo em direcção á nova estrada. Acho que trocaria bem estas mudanças, por um pouco de arrumação, como se o barulho do meu dia me desarrumasse, de tão intenso ele se torna á medida que vai passando. Às costas do entardecer, vem a melancolia, talvez porque a limpeza me pareça interminável, de tão sujo e desarrumado me pareça perante o olhar dos raios do sol a porem-se. Só mais um dia, barulhento tanto quanto o suportei, tranquilo tanto quanto o permiti que me ensinasse a arrumar-me por dentro, naquela sua doce forma de me mostrar, que não interessa correr mais que os outros, talvez antes importe o tempo que dei de mim aos outros!

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

O rio!


O rio que corre em mim é aquele que mais difícil é de navegar, até porque não foi isso que de pequeno aprendi. No rio que percorro em mim, é-me pedido para confiar, que só tenho de seguir os sinais, dizem os astros, sinais em que me perco, tantas são as vozes que escuto. Fácil ir por atalhos, que me fazem acreditar que o caminho é o certo, que me gritam para os seguir, encontro o muro, outras vezes o desfiladeiro, novamente enganado, uma vez mais de volta ao trilho. No rio apenas ouço aquela voz ténue.
- Segue a corrente.
-qual corrente?
-a do rebanho?
-Não!
-qual?
-Escuta!

domingo, 7 de outubro de 2018

As vontades!

Só me sinto livre quando perco a vontade de julgar!

O Puzzle!


Aquela vontade extensa que me agarra às imagens que quero recordar. Não é fácil exprimir o que aquela ausência me recorda, nunca está onde desejo, sempre um pouco mais longe, talvez noutro local onde a minha memória não alcança. Ser livre, não libertário, é a experiência duma vida. Quando livre, não sinto ausência, perto ou longe, estou sempre presente naquele sentimento que não se adquire em qualquer loja de conveniência. É difícil dizer o que a poderosa ausência me oprime, ou me prende, daí a urgência, aquela sensação do coração batendo na boca, palpitando até mais não aguentar. Só sou livre quando perco a vontade de julgar, quando as minhas energias se concentram no único lugar importante, naquele lugar onde não me considero superior aos demais, onde deixo para trás as críticas a mim próprio, em que acredito que para fechar o puzzle da vida, contam apenas as vontades de deixar de as ter!