Aprendi que
saber estar, tem muito que ver com a intensidade, ou a falta dela, que me
habituei a colocar nos momentos da minha existência. Sou daqueles que quero
tudo para ontem, lido mal com a espera, com o tempo que tudo demora a acontecer.
A velocidade da minha existência, das circunstâncias que me rodeiam, raramente
coincide com os anseios, as vontades, as projecções que alimento interiormente.
Como se a vontade de tudo acontecer, fosse tão intensa, que acabasse por quase
me devorar internamente. É evidente que padeço desse problema, realmente tudo
tem um tempo, nascemos ao fim de nove meses após a procriação, não é no segundo
seguinte, uma escadaria de duzentos degraus faz-se degrau a degrau, não duma
vez só, para me graduar na faculdade, tenho de começar na primária, sei que aos
dez anos de idade, não tenho ainda a maturidade que me reconheço aos sessenta.
Tudo para concluir que, ao caminho que efectuo durante a minha existência,
percorro em simultâneo um outro totalmente diferente. Coincidem os dois?
Raramente. Sussurra-me aquela voz longínqua, não te basta quereres, é preciso
fazeres. Os dois caminhos entram muitas vezes em conflito? Muitas. Embora seja
levado a concluir, que finalmente acabo por encontrar a estrada interior,
quando extenuado desisto pelo cansaço. Acredito que, por muito longa e estreita
a estrada se faça, sei que depende de mim adormecer todas as noites no colo da
paz!
terça-feira, 16 de outubro de 2018
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
O estado de espírito!
É fácil
habituar-me aos meus estados de espírito. E de tão fácil é, que acabo por me
confundir com eles!
sábado, 13 de outubro de 2018
A carta que nunca escrevi!
As cartas
que escrevi são tantas quanto a minha imaginação o permitiu. Talvez porque
todas as cartas que guardei na minha memória, tenham tido como tentativa,escrever aquela de que não me consigo mais esquecer. Naquele ruído frio da cidade,
com o burburinho típico do iniciar do dia, vou tentando lembrar-me de que
escrever a tal carta, pode vir a ser última tentativa para não mais adiar, a tal
que seria escrita por medo de errar. Juntando todas as cartas que não escrevi,
encontro aquela carta de amor sempre adiada, achando-a como única, mas também vivida
com tanta ilusão, talvez porque acredite, que não exista melhor amor que outro,
talvez antes exista, amor vivido de outra forma. Ao adormecer, acordo demasiado
cedo, a carta ainda por escrever, deixa-me sobressaltado, talvez o amor não
caiba na tal carta, talvez a carta não seja tão eterna quanto o mal-entendido
que se diz amor! Deixo o medo e os queixumes para trás, a carta esteve sempre
escrita, apenas a enviei para um outro destinatário!
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
A arrumação!
Se o prémio
fosse garantido, teria sempre da minha parte toda a disponibilidade para o
esforço anterior. É fácil, óbvio, que tendo em vista um prémio chorudo, a minha
abertura para um esforço extra é total, disso não me parece que tenha grandes
dúvidas. Tudo isto a propósito das mudanças que acontecem na minha vida,
mudanças que fazem com que altere o rumo percorrido, que me pedem para a
paciência, que me alertam para esperar pelo momento certo, que me avisam de que
chegou a hora para o passo em direcção á nova estrada. Acho que trocaria bem
estas mudanças, por um pouco de arrumação, como se o barulho do meu dia me
desarrumasse, de tão intenso ele se torna á medida que vai passando. Às costas
do entardecer, vem a melancolia, talvez porque a limpeza me pareça interminável,
de tão sujo e desarrumado me pareça perante o olhar dos raios do sol a porem-se.
Só mais um dia, barulhento tanto quanto o suportei, tranquilo tanto quanto o
permiti que me ensinasse a arrumar-me por dentro, naquela sua doce forma de me
mostrar, que não interessa correr mais que os outros, talvez antes importe o
tempo que dei de mim aos outros!
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
O rio!
O rio que
corre em mim é aquele que mais difícil é de navegar, até porque não foi isso
que de pequeno aprendi. No rio que percorro em mim, é-me pedido para confiar,
que só tenho de seguir os sinais, dizem os astros, sinais em que me perco,
tantas são as vozes que escuto. Fácil ir por atalhos, que me fazem acreditar
que o caminho é o certo, que me gritam para os seguir, encontro o muro, outras
vezes o desfiladeiro, novamente enganado, uma vez mais de volta ao trilho. No rio
apenas ouço aquela voz ténue.
- Segue a
corrente.
-qual
corrente?
-a do
rebanho?
-Não!
-qual?
-Escuta!
domingo, 7 de outubro de 2018
O Puzzle!
Aquela
vontade extensa que me agarra às imagens que quero recordar. Não é fácil exprimir
o que aquela ausência me recorda, nunca está onde desejo, sempre um pouco mais
longe, talvez noutro local onde a minha memória não alcança. Ser livre, não
libertário, é a experiência duma vida. Quando livre, não sinto ausência, perto
ou longe, estou sempre presente naquele sentimento que não se adquire em
qualquer loja de conveniência. É difícil dizer o que a poderosa ausência me
oprime, ou me prende, daí a urgência, aquela sensação do coração batendo na
boca, palpitando até mais não aguentar. Só sou livre quando perco a vontade de
julgar, quando as minhas energias se concentram no único lugar importante, naquele
lugar onde não me considero superior aos demais, onde deixo para trás as críticas a
mim próprio, em que acredito que para fechar o puzzle da vida, contam apenas as
vontades de deixar de as ter!
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