quinta-feira, 5 de março de 2015

Sempre novo!




Fica aquela ideia de quando se tem cara de novo, é para sempre, como se o tempo nunca passasse por aquela pessoa, vai criando algumas rugas na face, mas aquele ar de novo, de menino, parece nunca fugir-lhe. Tal como a idade, o amor, pode parecer sempre novo, de facto é sempre novo, podemos andar de paixão em paixão e parece-nos que é sempre diferente, talvez, mas convenhamos que um pouco cansativo. É como nos conflitos, vivemos ou morremos, no amor também não existe meio-termo, não se engana o amor, não inventamos uma declaração de amor, seria como tirar a melhor música dum disco riscado! O amor é como a música, tem que estar afinado, não se retira música duma orquestra desafinada, não se vive amor quando ambos desalinhados, sem afinação, a música não nos agrada, assim também é no amor. No amor também existe mentira, nem que seja aquela mentira que se pretende gostar, sim conta-me essa história que tanto gosto, sabes porquê? Porque foi assim que a idealizei, por favor não te enganes e não me enganes, prometo que assim me deixo enganar desde que me contes aquela história em que tudo acaba em bem, sabes que há muito finjo acreditar nas tuas histórias, mas não interessa, até acho que é melhor assim, fingimos os dois que acreditamos, assim ninguém se magoa, como se o amor dessa forma se tornasse enganador… Eu sei que algures, mais adiante na minha vida, hei-de encontrar uma forma de não mais me enganar, como se alguém estivesse á minha espera em casa quando eu acabasse de chegar, como se nesse momento, não houvesse outra forma de me continuar a esconder, como se os meus olhos se tornassem nos teus. Sim tu hoje podes continuar a história que antes não quis mais escutar, hoje prometo que os teus olhos também serão os meus, prometo que também a minha história sobre ti acabará em bem,
manterei a minha cara de novo, mesmo que para isso o tempo deixe por mim passar!

terça-feira, 3 de março de 2015

O Infinito!



Vou continuando a contar até ao infinito! De alguma forma me habituei a ouvir ainda em pequeno, conta até cem, até mil, e por aí fora! E os números acabam? Não porque os números são infinitos. Mas então nunca acabarei de contar! Pois não, se continuares nunca acaba, os números são infinitos… Muitas vezes recuo no meu tempo e concluo que se tivesse ido por outros caminhos, teria acabado por me desiludir, a eterna luta entre o que mais desejava e procurava, e o curso da vida mudando-me as voltas, acabando por mais tarde concluir e agradecer, não ter seguido pelo caminho mais fácil. Sabe o tempo, que preciso de mais tempo para continuar a errar e aprender! Entretanto já não tenho mais tempo para contar, o tempo que me falta é finito…acho que o melhor mesmo é deixar a chuva passar, amanhã talvez volte a contar, espero é que consiga voltar a contar até ao infinito, o infinito deve ser enorme… são números até mais não caber, como se os números não coubessem nos meses que vivemos. Nos meses que vivemos não contamos os dias, quando reparamos já passaram. Se calhar esses vividos também fazem parte do infinito, talvez sim, já foram tantos os meses vividos que deles já me esqueci. Do que mais recordo é do mês de Abril, porque é aí, no número um que tudo começa, já foi há tanto que mais parece ter sido há tempos infinitos. Tem graça, quando por mágica, me recordo do mês de Abril, aí esqueço-me do infinito. O gosto por escrever é infinito, o gosto pelos meus filhos é infinito, não cabe num número fechado, esse gosto, esse sentimento, é maior que um número, é infinito. Deixar infinitas coisas por acabar, pode tornar-se numa tarefa impossível, existe um gozo infinito em deixar coisas por acabar, até para mais tarde sentir a alegria de as terminar. Digo isto com a máxima consciência, o infinito sempre me deslumbrou, aquela eterna dúvida de um número sem número sempre me criou muita curiosidade. Quando para aí penso, acho que me aproximo do fim das lógicas. E é assim, continuo a andar por aí, tudo continua a andar por aí perto de mim, continuo a tentar contar até ao infinito,como se tudo também continuasse a andar por aí, talvez seja o infinito a vir perto de mim, talvez seja eu a entender que o infinito não se conta, talvez seja apenas eu a constatar, que quanto mais andar por aí, mais perto estarei de me encontrar com o infinito!!!   

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Mais futuro garanto ter!



Engraçado como o tempo funciona em nós, muitas vezes somos nossos maiores adversários, outras os maiores amigos, dependendo das circunstancias, algumas vezes nas mesmas circunstancias, somos adversários e amigos, somos uma constante rotação de conclusões, vamos concluindo, vamos fechando etapas, umas ganhas outras perdidas, mas todas contando para a corrida do tempo, não sabendo nunca quando essa corrida terminará, acho esquisito falar do meu tempo porque sou fixado no mito da eterna juventude, depois de vinte, de trinta, de cem anos, nem o tempo é mais nosso, acabo por entender que o meu dever é de apenas cumprir o mito de ser hoje! Mas o tempo primeiro fixa o nosso tempo, sem nunca primeiro o avisar. Porque essa é a sua verdadeira natureza, viver nunca sabendo a extensão do mesmo, algo como, vê lá se aproveitas enquanto é tempo, porque não sabes quando outra virada acontecerá. No entanto, volta não volta, esqueço-me, distraio-me, perco a noção da realidade, confesso que é uma constante, perder a noção da realidade, mas há algo que me chateia com a ideia do tempo, é não tornar a admirar nunca mais, o pôr-do-sol naquela praia, algo que me deixará vazio para sempre, achar que mesmo quando deixar de ser tempo, o pôr-do-sol naquela praia continuará, como se tornasse uma imposição, deixar tudo para trás, porque se o vivi, se o adorei, terá que permanecer comigo para todo o sempre, talvez sim, talvez não, enquanto isso, vou realizando que quanto mais velho me torno, mais futuro garanto ter!                   

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

O meu lugar!



Gostamos do lugar onde vivemos, ou do que vivemos no lugar? No lugar onde vivemos, temos vivências boas, memórias boas, outras menos boas, essas não as queremos nem lembrar, mas será que quando de lugar mudamos, também mudamos nosso lugar? Quando mudamos de lugar, será que mudamos vontade de mudar? Somos todos iguais, somos todos diferentes, cidadãos do mundo, mesmo quando nos mantemos no nosso lugar, não somos só desse lugar. Transportamos o nosso mundo, comparamos nosso mundo com os outros mundos, comparamos nosso lugar, com outros lugares, como é possível comparar mundos? Há sempre um mundo novo para conhecer, outro lugar para conhecer, aquele mundo, diferente do meu, cresceu, perdeu, ganhou, emancipou-se, não é melhor, não é pior, apenas outro mundo, apenas outro lugar! Seja como seja, em cada lugar acabo por encontrar o meu lugar, é uma evidencia da facilidade em como nos sabemos adaptar, seja como for, não sou saudosista, descobri que a minha obsessão por me fixar em cada lugar, não é o prémio que achei merecido para colocar minha mente em ordem, apenas uma simulação inventada por mim, para ocultar a desordem criada pela minha própria natureza, porque deveria ser um direito de cada um, escolher o seu próprio lugar e mudá-lo as vezes que sonhasse, um lugar de nada serve se não estiver inteiro nesse lugar!


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Posição de espanto!



Aquela eterna tendência de pensar que não existo, sem que os outros me reconheçam. Eu sei que algures, em algum lugar, me esqueci de mim, troquei-me pela opinião de muitos, esses, também perdidos nessa cruel tendência. Descobri como condicionado sou, pela opinião dos outros. Ser reconhecido, mostrar ao mundo que existo, múltiplas formas de mostrar a mim que existo, que sirvo para algo, como se essa batalha não tivesse fim.Vem sempre o dia, o momento, em que concluímos que o jogo é outro, não és o que tens, não és o que conseguiste, não és o que tentas de todas as formas indiciar aos outros que és, pura e simplesmente és, um ser, simples e finito, humano, com defeitos, virtudes, que apenas deseja sentir paz, tranquilidade, alegria, amor na sua vida. Como se tornasse urgente elevar o nosso ser á posição de espanto, como se a partir daí a vida se abrisse, o mundo se tornasse diferente, e tornou-se diferente porque a cor dos meus olhos mudou,a partir daí, o mistério não é mais o de tudo, passa apenas a ser
 
a distancia entre o que antes perdi, e o que finalmente descobri!